Valdeck Almeida de Jesus
O poeta da verdade!
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Arranquei todos os dentes

Isso mesmo, fiquei desdentado,
afinal, não preciso de incisivos
se não tenho o que morder...
Olhos vazados, finjo não ver;
ouvidos estourados, mouco,
faço de conta que sou louco...
Minha língua, incompreendida,
arranquei, engoli, calei...
das coisas que sonhava,
esqueci, apaguei...
sem pátria, sou um pária,
igual aos cidadãos de minha área...
comovo-me com formigas,
chacinas, não me sangram,
sou laico, nada me insemina...
canibal de ideais,
assassino de horizontes,
desfazedor de utopias,
destruidor de poesias...
esse sou eu, imaculado,
imaterial, serial-killer de futuros...
Soberba e arrogância me montam,
cavalgam minhas ancas, me defloram,
expandem minha falta de memória;
assim, revivo o impossível,
realizo sangrias em veias imaginárias,
deturpo meu caráter, sublimo zerésimas,
e, lúcido, sigo destinos vários,
encruzas infinitésimas...

Salvador, 08.01.2017


 
Valdeck Almeida de Jesus
Enviado por Valdeck Almeida de Jesus em 20/01/2017


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