Valdeck Almeida de Jesus
O poeta da verdade!
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A Bufa e a instituição
 
Burocracia é uma palavra muito conhecida quando se trata de Brasil. Qualquer brasileiro ou brasileira precisa ter uma série de documentos, desde a hora que nasce, ou antes mesmo de vir ao mundo, até a hora que morre, e depois também.

Exames da mãe grávida, nome da criança que vai nascer, registro de nascimento, CPF e uma série de números, códigos, papéis, formulários, códigos de barra, e por aí vai. Nem depois de morto deixamos de existir, pois é necessário um documento que comprove, que ateste a morte. Sem falar em heranças, que exigem testamentos, inventários, recibos, taxas… ufa!

Falar em ufa!, lembrei do título do texto. Já iria me embrenhar por outros caminhos e esquecer da bufa. 

Em uma instituição hipotética um funcionário foi flagrado soltando peidos na sala do chefe. Mas antes desse flagra, havia um burburinho sobre um mal cheiro que corria o ambiente toda manhã, por uns dez a quinze minutos. Um fedor da 'disgraça', insuportável, parecia que algum rato morto estava por detrás dos malotes, caixas, pilhas de papéis. Mas logo que o ar condicionado era ligado, o lugar ficava mais habitável. E o assunto era esquecido.

Mas como esse momento desagradável se repetia todas as manhãs, alguém foi designado para investigar. Portaria publicada na imprensa oficial, na qual constavam, devidamente, nome completo do nomeado, número de matrícula, data em que iniciaria a pesquisa, prazo para concluir a investigação e apresentar relatório completo do que fosse apurado.

Nos dias úteis, no horário de expediente, o cheira-bufa saía fungando pelos cantos, e ao menor sinal de cheiro de coisa podre, se aproximava do local, ou da pessoa, e abaixava para sorver o ar apodrecido. Nem sempre conseguiu completar a tarefa, pois o vento dos ventiladores diluía o fedor.

Ao final do prazo determinado, apresentou relatório e sugestões. Rolha para atochar o cu de todos os funcionários, em tamanhos e bitola diversos, feitas de silicone, madeira, alumínio etc, para que cada um(a) pudesse escolher a medida mais adequada à sua broca.

Tanto trabalho para nada, pois as tampas de fiofó logo ficavam frouxas e era necessário abrir licitações para compras de novos produtos; surgiu a necessidade de testes das rolhas, e outras exigências legais. Quem tinha cu largo, furico desregulado e chicote problemático foi demitido. A seleção de novos funcionários passou a incluir medidas preventivas e medição da rodela anal.

Finalmente, baixou-se uma portaria proibindo que se peidasse no ambiente de trabalho, com previsão de pesadas multas a quem desrespeitasse.
Valdeck Almeida de Jesus
Enviado por Valdeck Almeida de Jesus em 14/06/2018


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