Valdeck Almeida de Jesus
O poeta da verdade!
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A falta que faz um dente (?)
 
Dores insuportáveis que fazem a pessoa gritar, correr desesperada, implorar pela morte ou seja lá o que puder aliviar o sofrimento.

Comer algo que “cai” no buraco do dente e desencadeia todo o terror por dias e noites, fazendo inchar o dente (?) e a cara…

A alimentação de baixa qualidade destrói os dentes e os deixa vulneráveis à “lagartinha” do dente que ataca em dor lancinante quando uma criança come doce. E como tirar o doce de uma criança? Como convencê-la que doce é ruim? Como persuadi-la de que doce faz mal e prejudica ainda mais e que estraga bastante os dentes fracos em potássio? Como tratar dentes careados de uma família inteira, que não tem dinheiro nem para a comida do dia a dia nem para escova e creme dental?

Fazer aquele tipo de obturação que apenas tampa o buraco com uma massa branca e não limpa adequadamente a cárie não resolve definitivamente o problema, e deixa o dente “sensível” aos alimentos quentes ou frios. Ou seja, você não pode botar nada na boca que a dor ameaça voltar. O que resta?

Bem, arrancar dente podre é um sacrifício. Só mesmo quem já teve uma extração em que a anestesia teve pouco efeito é que sabe que se trata.

Dente, no entanto, é uma questão de estima, de apresentação. Afinal, nossa boca é a porta de entrada, a sala de espera, o saguão por onde nos apresentamos ao mundo, e a nós mesmos. É pela boca que morre o peixe e é pela boca que fazemos o contato com o mundo, seja falando, sorrindo timidamente ou escancarando a risada ao léu.

A boca é algo tão intimo e ao mesmo tempo tão publica, que é quase impossível a gente se esconder atrás de uma “cancela” ou de um roche mal feito, dentes estragados, um mal cheiro provindo da dentição podre ou mal cuidada. Enfim, não tem como escapar.

A solução? Atualmente, para quem tem muito dinheiro, há muitas formas de dar um jeito nisso. Implante dentário, seja de próteses inteiras, de porcelana, ouro, prata, osso sintético, plástico que imita perfeitamente osso humano, pivôs… Além de bastante demorado, o custo amedronta ou afasta a maioria dos candidatos. Para quem está fora da faixa alta de salários, resta arrancar todos os dentes. Indicação médica para tamanha intervenção só mesmo em caso de risco de saúde. Poucos odontólogos indicariam esta forma radical de resolver o assunto. Muita gente arranca os dentes por auto-flagelo ou por não ter alternativa mesmo. O resultado estético não é bom mas alivia o cidadão da dor e do bafo de onça para sempre, amém!

Colocar roche, dente artificial ou dentadura é o próximo passo. No entanto, muitas vezes estes equipamentos trazem junto a vergonha, timidez, baixa estima. A pressão social adia o uso ou quando se tem uma coisa dessas na boca, geralmente a pessoa tenta disfarçar aquilo que não tem jeito de esconder. Na maioria das vezes este segredo evidente é adiado e escondido dos amigos, namorados, amantes…

Julgamentos sempre haverão, seja para o bem, seja para o mal. Se bem que os gracejos, as piadinhas de mau gosto e as resenhas são sempre maioria. Ninguém perde a chance de humilhar, menosprezar, achincalhar quem usa dentadura. Sabe-se que ninguém é perfeito, mas quando o nosso defeito está disfarçado, escondido, é apenas intelectual, espiritual ou de caráter – quase impossível de ser “visto” -, é bem mais fácil apontar os defeitos dos outros.

Mas a questão volta à baila: que falta faz um dente?

Paris, 26 de junho de 2011
Valdeck Almeida de Jesus
Enviado por Valdeck Almeida de Jesus em 18/07/2011
Alterado em 14/09/2012


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