Valdeck Almeida de Jesus
O poeta da verdade!
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O jegue que rinchava pelo cu


A família dos Matoso
Vivia da agricultura
Plantava fruta e feijão
Coco, laranja e verdura
Gostava de viver bem
De ver na casa fartura
 
Cada um dava seu sangue
Pra aumentar a produção
Vendia e comprava tudo
Lá pras bandas do sertão
Mas precisava de ajuda
Para não ficar na mão
 
Tinha pouca mão de obra
Pra dar conta do trabalho
Muito mato e muita terra
Era coisa pra caralho
Era mais terra que gente
E não havia atalho
 
A família procurou
Alguém pra lhe ajudar
Mas o povo só queria
Comer, beber e farrear
Na hora do ‘vamo ver’
Fingia não escutar
 
Tinha gente contratada
Queria só o dinheiro
Não pegava no pesado
Queria a grana primeiro
Depois não fazia nada
E fugia bem ligeiro
 
Nem o trator funcionava
Parecia coisa feita
Gastava a gasolina
E depois dava na treita
E a produção caindo
A coisa ficando preta
 
A família preocupada
Cada vez ficando pobre
A fama se decaindo
A velha fama de nobre
O bicho tava pegando
Já faltava até o cobre
 
Chegaram a passar fome
Faltava até o feijão
Arroz, farinha e açúcar
Café, manteiga e o pão
E todo mundo ficando
Com grande preocupação
 
Pensaram ir pra cidade
Pra tentar sobreviver
Então logo desistiram
Pensando no que fazer
Pra alimentar tanta gente
Pra comprar o que comer
 
Pensaram, pensaram tanto
Com medo da morte certa
Pediram ajuda ao santo
Pra lhe mostrar uma oferta
Que fechasse toda porta
Mas deixasse uma aberta
 
Foram dias de agonia
Foram horas de tristeza
Choro forte e lamento
E apenas uma certeza
A fome tava rondando
E a morte já vinha tesa
 
Depois de tanta batalha
Depois de tanta labuta
Parecia até o fim
Dessa família de luta
Até surgir uma luz
Lá no fundo de uma gruta
 
Receberam uma ajuda
Foi mesmo a grande oferta
Pra fugir da fome toda
E também da morte certa
Aquele apoio do santo
Era uma porta aberta
 
Receberam em casa um jegue
Com grande satisfação
Afinal a força bruta
Pra ajudar na plantação
Pra fazer o mais pesado
E aumentar a produção
 
Se o jumento ajudou
A nascer o bom cristão
O Matoso abençoado
Ia ter grande emoção
Voltar a ser poderoso
O mais rico do sertão
 
Só faltava o começo
Botar o jegue pra andar
Levar o bicho pro mato
Fazer ele trabalhar
Botar ele na lavoura
Para peso carregar
 
Na primeira carregada
Foi grande decepção
Pois o jegue soluçava
Dava bufa igual o cão
Patada pra todo lado
Jogou a carga no chão
 
Matosinho ficou triste
Xingou bravo o jumento
Deu logo uma surra nele
E chamou-lhe de nojento
Pois a carga foi jogada
Bem no meio do cimento
 
Pensou muito e resolveu
Dar no jegue uma lição
Mandou ele se acalmar
Pra não tomar um tapão
O jegue deu uma risada
E soltou outro bufão
 
Matosinho se arretou
E fez o jegue parar
Meteu papuco no rabo
Ele parou de bufar
Mas soluçava demais
Tentando a bufa soltar
 
Pensou mais e resolveu
Botar uma vuvuzela
Na porta do cu do jegue
Que ficou igual donzela
Quando não ria, bufava
Na cara dele e na dela
 
Amordaçaram o jegue
Pra ele parar de rir
Mas o vento se voltou
E no rabo foi sair
O cu do jegue rinchava
Fazendo a bufa subir
 
Desse jeito terminou
O jegue lhe ajudando
Carregava o peso todo
Passava o dia bufando
A bufa na vuvuzela
Era igual jegue rinchando
 
A família enriqueceu
Todo mundo ficou rico
Graças à força do jegue
Que sorria igual jerico
E cada bufa que dava
Sorria pelo furico
 
Santo Amaro, 06 de julho de 2013 - Autor: Valdeck Almeida de Jesus

Valdeck Almeida de Jesus
Enviado por Valdeck Almeida de Jesus em 06/07/2013
Alterado em 07/07/2013
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