Valdeck Almeida de Jesus
O poeta da verdade!
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Jesus não vai voltar


Ele desce do morro,

da maloca,

sai da quebrada,

sai da favela,

de uma toca ou da viela,

deixa o papelão,

lençol ou cobertor,

enrolado a um canto, no chão,

leva marmita, pega buzão,

na mochila um sonho,

uma utopia, plano de vida,

trabalhar o dia inteiro,

por um prato de ração,

honesto ou desonesto,

circunstância da lida,

num "corre" louco,

sobrevivência,

sem tempo ao menos,

de criticar, sua vivência,

nem sempre volta,

nem sempre morre,

ou é bala perdida,

ou deu um mole,

estômago vazio,

no pé da barriga

aquele frio...

sub vivência,

pior que morte

e ter má sorte,

é violência,

se volta ao morro,

se volta ou morre,

ninguém se importa,

ninguém socorre,

tem mais Jesus,

pra por na cruz,

Jesus não volta,

favela chora,

e faz revolta,

depois tem mais,

morre mais um,

e a cada dia,

a sinfonia,

matando negro,

matando pobre,

pra que não sobre,

no chão da vida,

nenhum guerreiro,

nem testemunha,

Jesus não volta,

e a revolta

se faz de novo,

até que um dia,

sai alforria,

e vem pra fora,

mesmo na tora,

cada Jesus

que vai lutar,

que vai brigar,

e vai honrar

o sangue negro,

do meu degredo,

e cada um,

será herói

com toda glória,

mudando a história,

desse país,

dessa nação...




Salvador, 06 de junho de 2015
Imagem: rennovario.org
Valdeck Almeida de Jesus
Enviado por Valdeck Almeida de Jesus em 05/06/2015


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