Valdeck Almeida de Jesus
O poeta da verdade!
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Terceirizar é fácil, matar dinossauro nem tanto

Segundo a teoria científica, os dinossauros foram extintos em razão de um grande meteoro que se chocou contra o planeta Terra. Correto, até que se prove o contrário. Eu, no entanto, prefiro acreditar que eles morreram porque não tinham predadores. Grandes, violentos, pesados e sem inimigos, a tendência era crescer desordenadamente e ameaçar todas as outras formas de vida. Baratas e crocodilos, que precisavam lutar para não serem devorados, da mesma época, resistiram e sobrevivem até hoje.
 
Outros grandes dinossauros foram criados por nós e os alimentamos atualmente. Os bancos privados e o sistema financeiro internacional são alguns deles, que se sustentam da fome de países em desenvolvimento, de arrocho salarial, terceirização, precarização das relações de trabalho e dos serviços públicos, juros sobre juros, dívidas externas e internas, privatizações do patrimônio público e outras atividades ilegais ou legais como loterias oficiais, tráfico de toda sorte, lavagens de dinheiro, corrupções passivas e ativas etc.
 
A fome do sistema é muito grande e, para manter o padrão de lucratividade, empresas são instaladas sob condições especiais em países periféricos, onde o controle oficial e da sociedade é precário, salários e direitos sociais são manipulados; ao menor sinal de prejuízo, elas migram pra outro continente, sem o menor pudor ou preocupação social. A produção de primeira é enviada ao exterior: carros, frutas, carne, soja, vinho, minérios, petróleo ou mão de obra especializada; o bagaço fica para o consumo interno. A sociedade, que paga a conta, é seduzida/convencida com a criação de empregos diretos ou indiretos na construção da infraestrutura “necessária” ao escoamento dessa produção. As obras não se incorporam ao patrimônio do país, são repassadas, a preços atrativos, para exploração da iniciativa privada.
 
Se o país não tem como investir nessas mega construções, o Fundo Monetário Internacional e os bancos internacionais “emprestam” dinheiro tanto para financiar a “modernização” dos países como para “sanear” contas públicas. Nesses momentos as nações vendem títulos do tesouro, que são comprados “livremente” (sob intermediação de bancos), a preços atrativos. Os maiores compradores são bancos do sistema financeiro internacional, credores vorazes. Assim, governos e sociedades inteiros ficam reféns desses agiotas oficiais, porque na hora de pagar suas dívidas, os países se sentem obrigados a recomprarem os títulos a preços maiores ou a entregarem empresas de telefonia, privatizar estradas, fazer concessões de portos e aeroportos, empresas petrolíferas, produtoras de energia, empresas de água e saneamento etc.
 
E a dívida vai crescendo, crescendo, se torna impagável. É o que acontece com a maioria dos países que acabam se ajoelhando diante da bem articulada quadrilha do lucro a todo custo. Aqui no Brasil, investimentos essenciais são diminuídos, adiados ou cancelados, para sobrar dinheiro para pagar dívidas oriundas dessa maracutaia internacional. A base que sustenta tudo isso é a sociedade desorganizada, o financiamento empresarial de candidaturas de “representantes” do povo para as casas legislativas e para cargos de comando etc. Essa dívida se torna um grande dinossauro, sem predador, que come tudo o que está ao seu redor. Sem meteoro para combatê-la, questioná-la ou desarticular o esquema, é quase impossível se pensar em autonomia das nações, liberdade, igualdade e fraternidade.
Valdeck Almeida de Jesus
Enviado por Valdeck Almeida de Jesus em 20/07/2015
Alterado em 27/07/2015


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