Valdeck Almeida de Jesus
O poeta da verdade!
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Mártires cariocas

Cinco pares de olhos
que me imploram por dizer,
comentar o que passou,
dizer que não foram culpados,
mas vítimas de erro policial,
de racismo do Estado...
Cinco pares de ouvidos
que me imploram para ouvir
de mim e de todos nós
um grito de basta!
Basta de domínio do povo negro por uma casta;
São cinco corações parados
cujas batidas reprimidas
denunciam as ações
de um Estado genocida!
São cinco mentes aquietadas
me pedindo pra pensar,
lembrar que também sou potencial
que a qualquer momento serei
a próxima vítima fatal
de extermínio seletivo
patrocinado pelo Estado
enquanto ficarmos calados.
São cinco rostos sem sorrir,
cinco feições sem chorar,
sensações que foram freadas,
de jovens que sonhavam, que vibravam,
que apenas comemoravam
a sorte do primeiro emprego,
mas foram exterminados
como outros em muitas quebradas,
mortos na guerra civil,
cujas “balas perdidas escolhem pretos e matam”...
São cinco sonhos, cinco destinos,
todos ceifados por um louco desatino,
que me pedem pra não chorar,
mas que divulgue seus desejos de meninos,
de amar, formar família, dançar felizes, brincar de anjos...
São cinco, somados aos mais de mil e tantos que se foram,
que imploram pra não serem esquecidos,
não se tornarem apenas números em relatórios,
não querem choros nos seus velórios,
pedem justiça, que o braço policialesco seja logo desarmado;
pedem paz, pedem aos que ficam que velem, de verdade,
por outros meninos e meninas,
que não se permita que sejam assassinados!

Pelos cinco jovens mortos pela polícia carioca: Roberto de Souza, 16 anos, Carlos Eduardo da Silva Souza, 16, Cleiton Corrêa de Souza, 18, Wesley Castro, 20, e Wilton Esteves Domingos Junior, 20.
Valdeck Almeida de Jesus
Enviado por Valdeck Almeida de Jesus em 01/12/2015
Alterado em 01/12/2015


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