Valdeck Almeida de Jesus
O poeta da verdade!
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Minha mãe (não) morreu ontem...

...nem anteontem, nem tresantontem...

Todo dia minha mãe morre...

Sempre pela manhã, na hora do café

Todo dia, a falta do pó, do coador...

Ela chamando alto pra levantar...

"O sol vai passar por cima de vocês"...

"As galinhas já estão no terreiro"...

"O jegue já está comendo capim"...

E eu espreguiçando, querendo dengo,

e ela ativa, feito espuleta, na lida...

E cantando, e sorrindo, e chorando...

E lembrando da infância, e da mãe,

que morreu de parto, dela...

E eu no privilégio, sem valorizar,

sem entender a importância,

de cada puxada de orelha, cada chinelada...

E ela dizendo

"Um dia, quando meus males forem velhos, o de alguém é novo"...

E agora, toda manhã, sem o cheiro do café, sem a colher chacoalhando na panela de esmalte gasto,

eu sinto falta da chatice, das ranzinzices, das caduquices...

 
Valdeck Almeida de Jesus
Enviado por Valdeck Almeida de Jesus em 27/09/2020
Alterado em 28/09/2020
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